Casa do Autista em Goiás: como uma história de dor virou política pública e mudou o debate sobre o TEA no estado
Tudo começou com uma pergunta simples — mas que carregava um peso enorme.
Durante uma reunião comum, uma mãe se aproximou do então vereador Santana Gomes e fez um questionamento direto:
“O senhor tem algum projeto para ajudar famílias com autismo?”
Naquele momento, não era apenas uma pergunta. Era um pedido de socorro.
💔 A realidade que poucos enxergam
Ao longo da conversa, vieram relatos que impactaram profundamente.
Ela explicou que:
- O índice de divórcio entre famílias com filhos autistas era alto
- Muitas mães enfrentavam tudo sozinhas
- O desgaste emocional levava, em casos extremos, a quadros de depressão profunda e até risco de suicídio
- Apesar de existirem leis e benefícios, faltava algo essencial:
👉 um centro físico, próximo, com atendimento contínuo e humanizado
Não era apenas sobre direitos no papel.
Era sobre acolhimento real no dia a dia.
🤝 O ponto de virada
Para quem conhece a trajetória de Santana Gomes, aquilo não passou despercebido.
Antes da política, ele enfrentou uma realidade dura:
- Já viveu em situação de rua
- Passou necessidade na infância
- Sentiu, na prática, o que é não ter apoio
E foi exatamente isso que fez diferença.
👉 A dor relatada por aquelas famílias não era distante — era compreensível.
Foi ali que nasceu o compromisso.
🏛️ Do problema à solução: nasce o projeto da Casa do Autista
A partir dessa escuta, Santana Gomes estruturou a proposta de criação de um espaço que fosse além da teoria:
👉 Um local fixo, acessível e com suporte multidisciplinar
A ideia da Casa do Autista envolvia:
- Atendimento psicológico
- Acompanhamento terapêutico
- Orientação para famílias
- Apoio educacional
- Integração social
Não apenas um serviço.
Mas um ponto de apoio contínuo para quem vive o autismo todos os dias.
✍️ A sanção e o papel do Executivo
O projeto ganhou força e foi aprovado, sendo posteriormente sancionado pelo então prefeito Rogério Cruz.
Fora da política, Rogério Cruz já era conhecido por sua atuação social, inclusive por trabalhos missionários e ações humanitárias ao longo dos anos.
👉 A convergência entre legislativo e executivo foi decisiva para transformar a proposta em política pública.
📊 Direitos das pessoas com TEA em Goiás: o que já existe
Hoje, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) contam com uma série de direitos garantidos por lei no estado.
Entre os principais:
🪪 Identificação e prioridade
- Carteira de Identificação (CIPTEA), gratuita
- Atendimento prioritário em serviços públicos e privados
🎓 Educação inclusiva
- Direito a acompanhante especializado
- Inclusão garantida pela Lei Berenice Piana
🏥 Saúde e acompanhamento
- Acesso a terapias (psicologia, fonoaudiologia, etc.)
- Laudos com validade ampliada
🚗 Mobilidade e benefícios
- Vagas especiais de estacionamento
- Possibilidade de isenção de impostos (como IPVA e ICMS)
🎟️ Cultura e lazer
- Direito à meia-entrada
- Extensão ao acompanhante
👉 Ou seja: os direitos existem.
Mas por muito tempo, o problema foi outro:
👉 a distância entre o direito e o acesso real
🧠 Por que a Casa do Autista muda o cenário
A criação de um espaço físico estruturado resolve uma das maiores falhas do sistema:
✔ Centraliza atendimento
✔ Facilita acesso
✔ Apoia a família, não só o paciente
✔ Reduz sobrecarga emocional
👉 E principalmente: cria um ambiente de acolhimento contínuo
📍 Onde buscar ajuda em Goiás
Famílias podem procurar apoio em:
- CRAS (Centro de Referência de Assistência Social)
- Detran-GO (benefícios de mobilidade)
- Procon Goiás (direitos de atendimento)
- Ministério Público de Goiás (garantia de direitos)
🔎 Mais do que política: uma resposta a um problema real
O que torna essa iniciativa diferente não é apenas o projeto em si.
É o contexto em que ele nasceu:
- Não veio de interesse pessoal
- Não veio de pressão política tradicional
- Veio de uma escuta direta
- De uma dor real apresentada por quem vive a situação
👉 E encontrou resposta em alguém que já conhecia, na prática, o que é enfrentar dificuldades sem apoio.
🎯 Conclusão
A história da Casa do Autista em Goiás mostra algo importante:
Leis são fundamentais.
Direitos são essenciais.
Mas, muitas vezes, o que realmente transforma é quando alguém decide ouvir, entender e agir.
E foi exatamente isso que conectou uma pergunta simples a uma política pública com potencial de impacto real na vida de milhares de famílias.